sexta-feira, 23 de maio de 2008

Dilemas da liberdada



Hoje me peguei pensando sobre o que seria mais importante: a minha liberdade ou a dos outros, oque se quer ou oque se deve fazer? Quando as duas coisas andam juntas, não há dilema algum; quando divergem... De um lado está a relazição dos meus desejos, a satisfação do meu ego e a sinceridade absoluta minha comigo mesmo, o dionisíaco supreendente. Do outro, o certo, o justo, o adequado, o apolíneo cartesiano lógico previsível civilizado.

Entrei nessa neura porque nem sempre desejo o que é bom pra mim e para os outros - na maioria das vezes, na verdade, quero oque é bom apenas pra mim, meu desejo é só meu, e muito mais vezes ainda me permito realizar desejos egoístas indivisíveis. Não penso em ninguém quando cobiço e vou fundo nisso... O fato é estou num jogo de soma zero, em que alguém tem que perder pra eu ganhar...

E como fazer da derrota do outro uma vitória pra mim? Quem disse que oque fica pra mim está inteiro quando não dá pra compartilhar? Como vivenciar plenamente meus ganhos pensando que há alguém tramando pra eu perder como eu tramei para esse alguém perder? Dizem que a felicidade fica sempre comprometida qdo optamos pelo dever ser, mas percebo que a realização absoluta do meu desejo tb não me proporciona uma felicidade 100% feliz. Se não dá pra ser feliz plenamente nem de um lado nem do outro, devia então escolher a felicidade pelo meio... Mas qual delas? A felicidade do outro, que nem sempre é uma felicidade pra mim, tb me faz feliz... E o outro que ganha por eu perder, este não sabe que eu tb perdi e que é na minha derrrota que se faz sua alegria? Devo então descobrir oque realmente perco se decido ganhar e gozar oque ganhei sem culpa.

No meio dessas digreções me lembrei de uma peça escrita pelo rabino Milton Bonder e encenada por Clarice Niskier... Lá existe um pensamento que prentendo levar comigo pelo resto da vida e que me auxilia muito nesse momento: "temos que saber quando o certo é o certo e quando o errado é o errado, mas também temos que saber quando o errrado é o certo e quando o certo é o errado". Há muita razão nesse pensamento, mas acredito que para além dessa questão de ser e dever ser, de certo e errado, há tão somente o que se quer e o que não se quer, sem julgamentos, sem condenações, nem céus nem infernos, sem limites. Muitas vezes o certo e o errado não dialogam com o que trazemos dentro de nós, com oque somos, com oque queremos. O certo diz "dê igualmente a cada filho", mas que mãe não sabe qual dos dos filhos carece mais? O errado diz "tome para si oque é do próximo", mas seria assim tão impossível perceber o mau uso do próximo sobre seus pertences e nossa capacidade de ser mais competente? Eu sei o que quero. E tenho orgulho de minha alma imoral.

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